Endometriose: uma doença silenciosa.

 

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Durante a minha época na faculdade de fisioterapia ouvi falar na endometriose porém apesar de ouvir falar dela durante meu curso eu nunca tinha visto ninguém com a tal doença tanto na clínica quanto no hospital do qual fiz estágio.

Eu sempre tive cólicas horríveis porém pra mim sempre foi tudo “normal“, todas as pessoas que eu comentava falavam que era normal, algumas mulheres tinham mais cólicas que as outras e por ignorância minha eu nunca comentei com o meu ginecologista sobre.
Algum tempo depois eu engravidei, e como já disse em algumas outras postagens não tive uma gestação tranquila mas consegui ter minha filha graças a Deus e hoje acredito mais do que nunca como ele tem certeza do que é melhor para nós a cada momento.
Após ter minha filha, eu tive um bom sangramento, minha quarentena se tornaram incansáveis 4 meses de sangramento… e mais uma vez a minha ignorância mesmo com tanto estudo bateu e eu não procurei o médico, achei que era por nervoso, cansaço ou qualquer outra coisa que seja e por fim ela parou.
A cada mês que vinha a menstruação eu sentia cólica, cólicas terríveis mas que teoricamente eu já estava acostumada.
Em meados de 2014 eu comecei a ter sangramentos fora de época, seguidos por muita dor diferente das outras vezes eu procurei ajuda médica porém o resultado vinha com : infecção urinária e de fato com tanto antibiótico tudo voltava ao “normal”.
Passou mais um tempo, em meados de 2015 eu comecei a sentir muita dor porém essa dor começou a inchar o meu abdômen numa época perto dos meus dias “úteis”, mais uma vez recebi o diagnostico de infecção urinária e não tinha mais o que fazer a dor não passava, fui encaminhada a um especialista já que o número de leucócitos na minha urina não diminuíam mais com os medicamentos e cada vez eu estava mais dependente de medicamentos para dor, após uma série de exames e pelo urologista ser dada como estar curada da infecção urinária fui encaminhada pro ginecologista e eu não tinha outro que me passasse tanta confiança a não ser o que fez o meu parto, num exame rotineiro descobrimos o primeiro tumor: no colo do útero, diferente de muitos que encontramos por ai tive tumor no colo do útero devido a endometriose (porém na época não soubemos a origem ), foi muito difícil aceitar até porque eu tinha uma filha de 3 anos e uma vida inteira pela frente. No dia que soubemos desse tumor minha mãe olhou com cara de desespero pra mim e eu fui forte naquele momento mesmo sabendo o quanto aquilo tava me desarmando, logo que eu que sempre me fiz forte.
O tempo passou, fizemos a operação, fim de medicamentos… UFA estava curada, vida continua, rotina de exames só para controle…. 3 meses após esse episódio as dores voltaram e voltaram de uma maneira na qual eu nunca tinha sentido: eu sentia uma bola na virilha direita, durante um tempo eu preferi ficar quieta, talvez eu tivesse me lesionado na academia ela era insistente em ficar mas eu era mais insistente que ela saísse, até que por fim eu me rendi a ela e fui ao hospital novamente.
Me lembro pouco desse dia, lembro de ter dado o meu celular para alguém que imediatamente ligou para o meu pai e assim começamos a saga da tal endometriose, ligamos para o meu médico e agendamos uma consulta com urgência,  eu mal conseguia andar, fui questionada se eu não estaria grávida novamente ( tendo em vista tudo que eu havia passado na gestação da Alice) mas não, eu não estava grávida, tivemos a hipótese de hérnia ( o que era o mais provável já que eu vinha de um ritmo intenso na academia – e confesso que ainda tomei bronca) mas o que a gente sabia era que eu teria que operar de qualquer forma e rápido.
Exame daqui, exame dali, fura daqui, fura dali até que numa sexta feira as 20 horas pegamos o resultado de uma ressonância com contraste e acusou que não se passava mais sangue no lado direto do meu músculo do abdômen e eu teria que ser operada as pressas novamente… exames prontos e vamos lá: “- Dr. quanto tempo vai demorar a cirurgia? -30/40 minutos” e assim ficamos cerca de 4 horas no centro cirúrgico. Lembro que quando entrei na sala de preparação, vinha cada hora uma enfermeira tentar me acalmar, sofreram cada vez que eu falava que tinha medo da anestesia mas foram bem sinceras ao dizer que eu não veria, nem sentiria nada e assim foi.
Tomei 3 anestesias até o final da minha operação, abri uma nova cesariana no meu abdômen, e por sorte eu tive um médico consciente que não quis fazer um corte transversal. O fato de não passar sangue fez eu perder 98% da musculatura do lado direito e confesso que a minha recuperação foi muito mais rápida do que o médico previa,o tratamento não para nunca, para controlar a endometriose tomo uma medicação chamada Allurene no qual faz os sintomas diminuírem e muito.
A doença é ainda um tabu, pouco sabe sobre ela mas ela é silenciosa não dá as caras logo e isso dificulta (e muito) o diagnóstico, além disso não se tem uma etiologia exata então a endometriose pode se dá por inúmeros fatores.
Quando descobri a doença achei um site muito legal que me deu uma boa ajudada a entender sobre:
http://www.gineco.com.br/saude-feminina/doencas-femininas/endometriose/

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Cada caso é um caso e tendo em vista todos os relatos que li até hoje o meu foi um caso raro, eu quero deixar o meu alerta hoje e aproveitando que março se tornou o mês de conscientização da endometriose, para que todas as mulheres principalmente em idade reprodutiva ( dos 13 anos aos 45 anos) prestem mais atenção em si mesmo,  nenhuma dor é normal, lembrando que 30% das mulheres que possuem endometriose podem se tornarem estéreis.

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