Eramos 3 corações mas ficaram somente 2

Eu ainda não tinha feito nenhum ultrassom, havia acabado de descobrir que estava grávida.

 

Após a primeira consulta ao médico, escutar o coração tão forte a emoção foi demais, eu não sabia de quantas semanas estava mas não era possível um coração bater tão rápido como aquele, afinal pelo que me constava eu estava de quase 2 meses ainda.

 

Meu sonho desde criança eram ter gêmeos ( e olha que eu não sabia que na minha família – no caso minha avó – era gêmea), sonhava em ter um casal, sempre quis que meu filho/filha não fosse sozinho, ter um irmão com exatamente a mesma idade era o que mais queria.

 

Confesso que durante os dias seguintes até a chegada do ultrassom eu ficava imaginando com o meu instinto materno como seria se fossem dois bebês:

 

– 2 choros
– 2 corações fora de mim
– 2 chamando mamãe

 

Esse mundo duplo era fantástico e incrível, pesquisei diversas vezes como funcionava uma gravidez gemelar, aprendi a diferença de gêmeos fraternos e gêmeos idênticos até que 6 dias antes do exame de ultrassom tive dor, uma dor tão forte que me fazia chorar até que aquela vontade de fazer xixi veio e “algo saiu de mim “.

Naquele momento eu não conseguia me desfazer “daquilo” . Não era normal, não era sangue, era tudo, era meu tudo!

 

Fui ao pronto socorro e antes mesmo do médico olhar o que eu estava com tanto medo ele disse joga fora, seja o que for não tem como mais colocar nada .

 

Me deram remédio para que minhas dores se amenizassem mas aquilo que doía dentro de mim nenhum remédio jamais curaria.

 

O ultrassom veio 2 dias depois desse episódio ,como regra do pronto socorro e lá estava, aquele “machucado ” dentro do meu útero e  outro bebê.

 

Eu ainda estava de 9 semanas e tinha tido um aborto espontâneo, sem motivos prévios apenas porque meu outro bebê não se desenvolveu, no fundo eu sabia que seria mãe de gêmeos mas não imaginava que seria dessa forma.

 

Depois disso eu andei pesquisando,li inúmeros artigos e conversei com meu médico como a gente faria para que eu não perdesse o outro bebê e enfim ele explicou que isso pode acontecer com grande parte das mulheres e o fato de eu ter gerado meus filhos em placentas diferentes fez com que eu não perdesse ambos e iria ter minha filha normal se eu tomasse as devidas medicações.

 

 

Eu sei, tudo na vida tem uma explicação…. e graças a conduta de um bom médico nasceu a Alice.
Não deixe de ir a um atendimento rápido quando sentir qualquer incomodo durante a gravidez, mantenha se sempre em contato com seu médico, e se ele pedir tome o remédio,simplesmente tome.